Nota de Esclarecimento: Esse artigo foi baseado em estudos relacionados ao Autismo, pois em 2013, com a atualização do Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM-V), os transtornos antes chamados de autismo infantil, autismo de alto funcionamento, transtorno global do desenvolvimento sem outra especificação, transtorno desintegrativo da infância, síndrome de Asperger, dentre outros, foram excluídos deste manual e passaram a representar um continuum único de prejuízos com intensidades que vão de leve a severa na comunicação, interação social, comportamentos restritos e repetitivos, em vez de estabelecer distúrbios diferentes. Essa mudança foi feita para melhorar os critérios diagnósticos do Transtorno do Espectro Autista e identificar qual tratamento se encaixaria melhor para cada pessoa, de acordo com os prejuízos específicos observados[1].
Crianças com Autismo Severo ou também como conhecido, Transtorno do Espectro Autista de Nível 3-Exigindo Apoio Muito Substancial, geralmente expressam prejuízos intensos na capacidade de comunicação social verbal e não verbal, dificuldades severas em dar início às interações sociais e pouca resposta a aberturas sociais quando parte de outros. Por exemplo, um sujeito com a comunicação típica raramente começa uma conversação e, quando inicia, tem comportamento incomum apenas para responder a necessidade e atende somente a abordagens sociais diretas[1].
A respeito do comportamento, normalmente possuem inflexibilidade, extrema dificuldade para lidar com ações e mudanças repentinas que podem prejudicar o funcionamento em outras atividades, além de demonstrar grande sofrimento para mudar o foco ou ação[1].
O TEA severo é representado pela pessoa com grandes déficits. Além de apresentarem a comunicação e interação social prejudicadas, podem possuir estereotipias excessivas que podem influenciar negativamente o dia-a-dia, tais como: correr de um lado para o outros, andar nas pontas dos pés, balançar o corpo e as mãos. Como também, em alguns casos, podem apresentar comportamentos auto agressivos, irritabilidade, não desenvolvimento da fala ou extrema dificuldade na comunicação[2,3].
O TEA de grau 3 é um distúrbio do neurodesenvolvimento, marcado por alterações na biologia do cérebro. Durante a formação do sistema nervoso do indivíduo, por conta da interação de fatores genéticos e ambientais que causam o TEA, esse processo acontece de forma atípica e são essas modificações que podem refletir no comportamento e na comunicação, uma vez que geram condutas específicas e estereotipadas (movimentos repetitivos). Quanto maior o grau de comprometimento, maiores são as dificuldades apresentadas[3].
Geralmente, os primeiros sinais do TEA, podem ser identificados entre os 12 a 24 meses de vida do indivíduo, ou até mesmo antes dos 12 meses, nos casos mais severos, ou depois dos 24 meses de nascimento, se forem mais sutis[4]. A identificação precoce desses sinais são de extrema importância, visto que aplicando as intervenções necessárias os resultados positivos em resposta às terapias são mais significativos[5].
Um grande número de pessoas com TEA apresentam comorbidades. Diversas pesquisas apontam mais de 40 síndromes genéticas associadas, que vão desde transtornos psiquiátricos até problemas gastrointestinais. Contudo, é importante ressaltar que há ainda a possibilidade do indivíduo não apresentar nenhum distúrbio relacionado[2,3].
Algumas delas, são:
As causas do TEA, são multifatoriais, ou seja, ocorrem por meio de uma interação entre fatores genéticos e ambientais. Com o passar dos anos, houve um aumento nos indicadores de prevalência do autismo. O transtorno que em 2006 atingia 1 a cada 125 recém- nascidos, atualmente, está em 1 a cada 59 crianças[6,7]. Não há uma causa comprovada para esse crescimento, porém, algumas hipóteses seriam o avanço da ciência, referente ao TEA, e o diagnóstico precoce.
Como não há um marcador biológico para o autismo, o diagnóstico pode ser realizado principalmente, pela observação clínica, baseada nos critérios do DSM-V. Com o objetivo de agilizar a identificação, é essencial que os profissionais da saúde e de outras áreas envolvidas tenham um bom conhecimento nos sinais sugestivos para o TEA e um entendimento das comorbidades associadas. A detecção precoce é benéfica para a criança com autismo, uma vez que visa maximizar o seu potencial e fornecer o apoio e intervenção necessária, com a finalidade de melhorar os resultados[8].
Em síntese, considerado um transtorno do neurodesenvolvimento, o nível 3 é marcado pelas pessoas que apresentam grandes déficits. Sendo a forma de manifestação mais severa do TEA, é possível que os traços sugestivos para o autismo sejam notáveis antes dos 12 meses de vida. A identificação precoce é importante, visto que quanto mais cedo iniciar às estimulações, melhores são os resultados durante a fase de crescimento do indivíduo. É importante destacar a possibilidade da pessoa migrar de níveis dentro do TEA. Conforme o DSM-5, a gravidade dos graus pode variar de acordo com o contexto ou oscilar com o tempo. Portanto, com o diagnóstico precoce definitivo e uma equipe disciplinar, o processo de estimulações e intervenções terão melhores resultados.
Referências:
[2] ARAÚJO, L. Neuropediatra tira dúvidas sobre Autismo e destaca importância do diagnóstico precoce. 02 abr. 2019. Disponível em: <https://www.sbp.com.br/imprensa/detalhe/nid/pediatra-tira-duvidas-sobre-autismo-e-destaca-importancia-do-diagnostico-precoce/>. Acesso em: 19 ago. 2019.
[3] CAMPOS, V.; PICCINATO, R. Autismo. Bauru: Alto Astral,2019.
[4] ASSUMPÇÃO JUNIOR, F. B.; PIMENTEL, A. C. M. Autismo infantil. Revista Brasileira de Psiquiatria, v. 22, p. 37-39, 2000.
[5] MINISTÉRIO DA SAÚDE. Diretrizes de Atenção à Reabilitação da Pessoa com Transtornos do Espectro do Autismo (TEA). 1º ed. Brasília. Ministério da Saúde, 2014.
[6] NICHOLAS, J. S.; CARPENTER, L. A.; KING, L. B.; JENNER, W.; CHARLES, J. M. Autism spectrum disorders in preschool-aged children: prevalence and comparison to a school-aged population. Annals of epidemiology, v. 19, n. 11, p. 808-814, 2009.
[7] CDC. Prevalence of autism spectrum disorder among children aged 8 years-autism and developmental disabilities monitoring network, 11 sites, United States, 2014. MMWR Surveillance Summaries, v. 67, n. 6, p. 1-23, 2018. Disponível em: <https://www.cdc.gov/mmwr/volumes/67/ss/ss6706a1.htm>. Acesso em: 19 ago. 2019.
[8] YATES, K.; LE COUTEUR, A. Diagnosing autism/autism spectrum disorders. Paediatrics and Child Health, v. 26, n. 12, p. 513-518, 2016.
[9] LOUREIRO, A.A. et al. Manual de Orientação: Transtorno do Espectro do Autismo. Departamento Científico de Pediatria do Desenvolvimento e Comportamento, n. 05, 2019.



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