Equoterapia: Quais são os benefícios para o autista?


O Autismo é um distúrbio do neurodesenvolvimento caracterizado por alterações que causam prejuízos na comunicação, interação social e marcado por padrões restritos e repetitivos de comportamento, interesses ou atividades[1].
Como não há um marcador biológico para o autismo, o diagnóstico pode ser realizado pela observação clínica, baseada nos critérios do DSM-V. Com o objetivo de agilizar a identificação, é essencial que os profissionais da saúde e de outras áreas envolvidas tenham um bom conhecimento nos sinais sugestivos para o Transtorno do Espectro Autista (TEA) e um entendimento das comorbidades associadas. A detecção precoce é benéfica para a criança com autismo, uma vez que visa maximizar o seu potencial e fornecer o apoio e intervenção necessários, com a finalidade de melhorar os resultados[2].
Com isso, estudos apontam que as terapias que utilizam animais trazem vantagens significativas para o indivíduo, visto que a interação entre homem e animal podem proporcionar benefícios físicos, emocionais/afetivos, cognitivos e sociais[3].

De acordo com Luciane G. (terapeuta ocupacional, responsável pela Equoterapia Camaster - SP), além da equoterapia ser reconhecida como um método de reabilitação, por meio dela é possível trabalhar aspectos físicos, psíquicos e sociais do praticante (denominação dada ao indivíduo que pratica equoterapia).
Segundo a ANDE-BRASIL (Associação Nacional de Equoterapia-2019), a equoterapia é um recurso terapêutico que utiliza o cavalo dentro de um tratamento multidisciplinar envolvendo as áreas da saúde, educação e equitação (técnica de andar a cavalo), a fim de promover o desenvolvimento biopsicossocial (que considera os aspectos biológicos, psicológicos e sociais) em indivíduos com transtornos e/ou condições médicas.
A equoterapia é desenvolvida ao ar livre, no qual o praticante fica em contato com a natureza, propiciando o desempenho de exercícios de psicomotricidade (desenvolvimento motor, psicológico, social, cultural e afetivo), auxiliando a redução dos níveis de estresse e ansiedade do indivíduo[5]. Por ser uma terapia fora dos padrões convencionais de atendimento, em que se utiliza o cavalo e a natureza como cenários, é possível obter resultados mais rápidos e eficazes.

O foco da equoterapia está no uso do cavalo como ferramenta aliada a saúde, englobando atividades de montaria e passeios, além de atividades focadas em equinos, como cuidar e acariciar o animal[6]. A atividade e terapia equestre afeta todo o corpo, auxiliando a melhora do esquema corporal, postura como um todo, regulação do tônus muscular (responsável por fazer com que os músculos entrem em ação sempre que necessário), estimula o equilíbrio, educa o sistema nervoso sensorial, dentre outros benefícios[7].
Conforme Lilian Albuquerque (fisioterapeuta da Clínica Cepel - MG), ao escolher o animal é recomendado que ele seja dócil, tolerante e calmo. Não se estabelece uma raça ou idade mais adequada, o que se ressalta é o tamanho do animal, no qual dependerá da necessidade do praticante. Outro fator importante a se avaliar é a qualidade da andadura do cavalo (alinhamento das patas), uma vez que isso promove simetria dos movimentos ao praticante. Após a escolha, o equino será treinado continuamente.

A utilização da equoterapia pode promover qualidade de vida ao potencializar aspectos, como:

Org.: Caique Muniz. Fonte: SRINIVASAN, S. M.; CAVAGNINO, D. T.; BHAT, A. N., 2018.
Obteve-se depoimentos pela Equoterapia Camaster que comprovam os benefícios desse recurso terapêutico:

A atividade equestre é recomendada para pessoas com TEA pelos benefícios que pode promover. Após o diagnóstico, é possível receber o encaminhamento de um profissional da saúde quando necessário, passando por uma avaliação da equipe multidisciplinar para a melhor escolha do cavalo e das atividades, de acordo com as suas necessidades[9].

Por todos esses aspectos, a equoterapia se mostra um método eficaz na vida de seus praticantes, pelos benefícios que proporciona. Com base nas comorbidades que estão associadas ao TEA, algumas pessoas apresentam fraqueza muscular e, com o auxílio da terapia equestre, é possível melhorar essa condição. A equoterapia é reconhecida como um método de reabilitação que traz vantagens ao praticante desde 1997 pelo Conselho Federal de Medicina e ao passar dos anos, vem ganhando destaque nacional por conta de seus resultados. Em Maio de 2019, foi criada a Lei Nº 13.830 para que os planos de saúde aceitem a equoterapia, caso seja indicada. Essa recomendação deve partir de um profissional da área saúde e como requisitos para às clínicas, são necessários: instalações apropriadas, cavalos treinados para o uso exclusivo da terapia, equipamentos de proteção e vestimentas adequados, além de uma equipe multidisciplinar que deve possuir um curso específico de equoterapia. A lei entrou em cumprimento a partir de 10 de Novembro de 2019 e quem possuir a prescrição médica ou um atestado indicando que estar apto para iniciar a terapia, poderá encaminhar os trâmites necessários para a realização. 

Agradecimentos
Gostaria de agradecer a Lilian e Lizandra da Clínica Cepel e a Luciane da Equoterapia Camaster, pela grande e rica ajuda e disponibilização de material para que fosse concluído esse artigo. Para vocês, o meu muito obrigado!!!

Referências:


[1] APA. Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM V), 5 ed. Porto Alegre: Artmed Editora LTDA, 2013.
[2] YATES, K.; LE COUTEUR, A. Diagnosing autism/autism spectrum disorders. Paediatrics and Child Health, v. 26, n. 12, p. 513-518, 2016.
[3] CAPOTE, P. S. O. Terapia assistida por animais (TAA) e deficiência mental: análise do desenvolvimento psicomotor. 2009. Dissertação (Pós-graduação em Educação Especial) - Universidade Federal de São Carlos, São Carlos, 2009.
[4] ANDE-BRASIL. O Método. Brasília, 2019. Disponível em: <http://equoterapia.org.br/articles/index/article_detail/142/2022>. Acesso em: 30 de set. de 2019.
[5] FREIRE, H. B. G.; DE ANDRADE, P. R.; MOTTI, G. S. Equoterapia como recurso terapêutico no tratamento de crianças autistas. Multitemas, n. 32, 2016.
[6] LENTINI, J. A.; KNOX, M. S. Equine-facilitated psychotherapy with children and adolescents: An update and literature review. Journal of Creativity in Mental Health, v. 10, n. 3, p. 278-305, 2015.
[7] DA SILVEIRA, M. M.; WIBELINGER, L. M. Reeducação da postura com a equoterapia. Revista Neurociências, v. 19, n. 3, p. 519-524, 2011.
[8] SRINIVASAN, S. M.; CAVAGNINO, D. T.; BHAT, A. N. Effects of equine therapy on individuals with autism spectrum disorder: A systematic review. Review journal of autism and developmental disorders, v. 5, n. 2, p. 156-175, 2018.
[9] CRUZ, B. D. Q.; POTTKER, C. A.. As contribuições da equoterapia para o desenvolvimento psicomotor da criança com transtorno de espectro autista. Revista UNINGÁ Review, v. 32, n. 1, p. 147-158, 2017.

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